A Escatologia Cristã e o Fim do Sofrimento Humano

A Escatologia Cristã

Gostaria de ater-me aqui somente ao dilema do ser humano sobre o sofrimento e a maldade existente no mundo, não tenho nenhuma pretensão de escrever um tratado sobre a escatologia cristã e todos os seus aspectos, pois já existem tais tratados,  mais gostaria de maneira mais sintetizada possível, mostrar que a teologia cristã, a escatologia exercem um papel de suma importância quando falamos do dualismo religioso que se instaurou no mundo, desde as civilizações mais remotas que se tem história.

Passagens escatológicas, às vezes chamadas de “apocalípticas”, são encontradas em toda a Bíblia, tanto nas escrituras do Antigo Testamento quanto do Novo Testamento, embora, como se poderia esperar, eles estão concentrados nos livros proféticos.

Na Bíblia cristã, os profetas constituem a última das divisões principais do Antigo Testamento, que começam com os livros de Isaías a Malaquias.

No Novo Testamento, o Apocalipse é o único livro desta categoria, apesar de existirem importantes passagens escatológicas nos evangelhos e epístolas.

Parousia

Escatologia CristãA Parousia, é o evento mais importante na Escatologia Cristã. A maioria dos cristãos acredita que o sofrimento da morte continuará a existir até o retorno de Cristo. Outros acreditam que o sofrimento vai ser gradualmente eliminado antes de sua vinda, e que a eliminação da injustiça é a nossa parte na preparação para esse evento.

Em sua carta à igreja de Tessalônica, o Apóstolo Paulo escreve: “Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor” (I Ts 4:16-17).

O aumento dos que ainda estão vivos para se juntar os mortos ressuscitados é conhecido como o Arrebatamento. Esta passagem implica que Paulo acreditava que os três eventos, a vinda do Senhor, a ressurreição e o arrebatamento acontecessem todos mais ou menos ao mesmo tempo, a chamada “Parousia”.

A Bíblia ensina que, na ressurreição, o corpo natural será transformado em um corpo sobrenatural, e essa transformação se estende para o arrebatamento, onde os crentes vivos se juntam com os que já morreram ao encontro de Cristo na sua vinda.

Logo após Cristo reunir seus seguidores “no ar”, o casamento do Cordeiro tem lugar: “Regozijemonos, e alegremo-nos, e demos-lhe glória; porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou. E foi-lhe dado que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente; porque o linho fino são as justiças dos santos” (Ap 19:7-8).

Não há simbolismo aqui, Cristo é representado em toda a revelação como “o Cordeiro”, nos mostrando a doação de sua vida como um sacrifício expiatório para os povos do mundo, assim como os cordeiros eram sacrificados no altar para os pecados de Israel,  Sua “esposa” parece representar o povo de Deus, pois ela está vestida com os “atos justos dos santos”.

Assim como o casamento ocorre, há uma grande festa no céu que envolve uma “grande multidão” (Ap 19:6).

Paralelamente ao acontecimento das bodas, ocorre na terra, o que é chamado de Tribulação e Grande Tribulação, onde se dá inicio a acontecimentos terríveis nunca dantes acontecidos.

Jesus disse: “Quando, pois, virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar santo […] Porque haverá então grande aflição como nunca houve jamais(Mt 24:15, 21). “Abominação da desolação” entende-se como a criação de um altar pagão no templo em Jerusalém.

Isso aconteceu já por duas vezes: uma vez em 168 aC, quando as forças sírias no âmbito do general grego Antíoco Epífanes invadiu Jerusalém, e novamente em 70 D.C., quando as forças romanas de Tito destruíram a cidade.

Desde que Jesus estava se referindo a um evento futuro, o primeiro destes não se aplica. Esta segunda profanação do templo era futura para o tempo de Jesus, mas ainda dentro da vida de muitos de seus ouvintes (“esta geração”).

Outros veem um cumprimento parcial em 70 D.C., e uma realização mais completa em alguma data futura, porque muitos dos elementos contextuais associados à profecia de Jesus não foram cumpridos em 70 D.C.

Esta ocorrência futura da “abominação da desolação” anunciaria uma época de grande tribulação, “como não foi desde o início do mundo até agora, não, nem nunca será. E se aqueles dias não fossem abreviados,  nenhuma carne seria salva. Mas, por amor dos escolhidos, aqueles dias serão abreviados” (Mt 24:21-22).

O Reino Milenar e a derrota de Satanás

Escatologia CristãApocalipse nos diz que no final do período da tribulação, o Cordeiro e seus exércitos derrotarão a “besta”, que é capturado e jogado no lago de fogo. Satanás, a força motriz espiritual da besta e seus exércitos, são presos:

E vi descer do céu um anjo, que tinha a chave do abismo, e uma grande cadeia na sua mão(Ap 20:1).

Embora Apocalipse somente fale de um período de mil anos de reinado de Cristo na Terra, há inúmeras outras profecias em ambos os testamentos, relativas a uma idade futura de paz.

Isaías fala deste tempo e o descreve em termos edênicos: E a justiça será o cinto dos seus lombos, e a fidelidade o cinto dos seus rins(Is 1:5).

Neste período não haverá mais morte, nem em humanos ou no reino animal. Deus inverte a aliança feita com Noé, na qual ele diz: “E o temor de vós e o pavor de vós virão sobre todo o animal da terra, e sobre toda a ave dos céus; tudo o que se move sobre a terra, e todos os peixes do mar, nas vossas mãos são entregues” (Gn 9:2).

Miquéias manifesta da mesma forma os pensamentos sublimes, acrescentando que Jerusalém será a capital do Senhor nesses dias:

E irão muitas nações, e dirão: Vinde, e subamos ao monte do Senhor, e casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos pelas suas veredas; porque de sairá a lei, e de Jerusalém a palavra do Senhor. E julgará entre muitos povos, e castigará nações poderosas e longínquas, e converterão as suas espadas em pás, e as suas lanças em foices; uma nação levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra. Mas assentar-se-á cada um debaixo da sua videira, e da sua figueira, e não haverá quem os espante, porque a boca do Senhor dos Exércitos o disse(Mq 4:2-4).

Passados os mil anos, satanás é solto e sai a enganar as nações, onde junta grande número de adeptos para a grande batalha final, conhecida como a Batalha do Armagedom. Ezequiel diz:

“Então subirás, virás como uma tempestade, far-te-ás como uma nuvem para cobrir a terra, tu e
todas as tuas tropas, e muitos povos contigo” (Ez 38:9).



Apesar desta grande demonstração de força, a batalha será de curta duração, pois deus mandará fogo do céu e num sopro, destruirá a satanás e seu exército. Após a derrota de satanás, dá-se então início ao juízo final.

Logo após ser lançado no lago de fogo, seus seguidores subirão para julgamento. Esta é a segunda ressurreição, e todos aqueles que não faziam parte da primeira ressurreição, na vinda de Cristo agora se levantam para o julgamento:

“E vi um grande trono branco, e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu; e não se achou lugar para eles. E deu o mar os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras. E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte. E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo“ (Ap 20:11, 13-15).

João já havia escrito: “Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte; mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele mil anos” (Ap 20:6).

A morte do corpo é a primeira morte, o lago de fogo é a segunda. Aqueles que foram incluídos na ressurreição e no arrebatamento estarão excluídos do julgamento final, e não sujeitos a segunda morte.

Devido à descrição do lugar em que o Senhor senta-se, este julgamento final é muitas vezes referido como o “Grande Trono Branco do Julgamento”.

Grande Trono Branco marca o fim da história.

O drama e o sofrimento da terra chegaram a sua conclusão e a cortina está abaixada no palco da história humana. No livro do profeta Isaías, Deus promete um novo céu e uma nova terra: “Porque, eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá mais lembrança das coisas passadas, nem mais se recordarão” (Is 65:17). O escritor do Apocalipse tem uma visão muito parecida:

E vi um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe” (Ap 21:1).

O foco volta-se para uma cidade em particular, que desce da parte de Deus, a Nova Jerusalém. Vemos novamente, a imagem do casamento: “E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do
céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido” (Ap 21:2).

Na nova Jerusalém, Deus “habitará com eles, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles e será o seu
Deus” (Ap 21:4). A cidade não necessita de sol nem de lua, para que nela resplandeçam, porque a glória de Deus a tem iluminado, e o Cordeiro é a sua lâmpada” (Ap 21:22-23). E a cidade também será um local de grande paz e alegria, pois “Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas” (Ap 21:1-4).

Diante de tudo isso só nos resta o brado “Maranata Ora vem Senhor Jesus”

Parousia do grego Παρουσία, “presença”) é termo usualmente empregado com a significação religiosa de “volta gloriosa de Jesus Cristo, no fim dos tempos, para presidir o Juízo Final”, conforme crêem as várias religiões cristãs e muçulmanas, inclusive sincréticas e esotéricas.

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