Filosofia da Religião, o que é?


Ao refletirmos sobre a religião, suas concepções e particularidades, suas relações com o entremeio social, entre outros, notamos sua fundamental importância para a própria estruturação da sociedade, seja analisando períodos atuais ou antigas civilizações. Porém passa muitas vezes despercebido à nossa análise a seguinte questão:

Como teria surgido a religião? Com quais objetivos ela iniciou-se? A partir de qual momento? Sem dúvidas são questões um tanto quanto complexas para respondermos de imediato, sem a devida cautela, imprescindível para questão.

É partindo desses questionamentos que faremos uma breve análise da religião, desde seus primórdios, até os tempos modernos, e como a mesma chegou até os dias de hoje, em suas diferentes formas, crenças e rituais.

Do que se trata a Filosofia da Religião

Filosofia da ReligiãoA Filosofia da Religião é um ramo filosófico que investiga a esfera espiritual inerente ao homem, do ponto de vista da metafísica, da antropologia e da ética. Ela levanta questionamentos fundamentais, tais como: o que é a religião? Deus existe? Há vida depois da morte? Como se explica o mal?

Estas e outras perguntas, ideias e postulados religiosos são estudados por esta disciplina. Em suma, sua pergunta fundamental é: “O que é, afinal, a religião?”. A filosofia da religião como disciplina filosófica particular, foi criada pelo neokantismo. A filosofia neokantiana da religião reduz a religião a um “a priori” religioso. Isto é verdade, na medida em que o homem por natureza se sintoniza com o religioso, mas o neokantismo erra, quando nega o ser ao objeto da religião.

Existe uma infinidade de religiões, compostas de distintas modalidades de adoração, mitologias e experiências espirituais, mas geralmente os estudiosos se concentram na pesquisa dos principais grupos espirituais, como o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo, pois elas oferecem um sistema lógico e mais elaborado sobre o comportamento do mundo e de todo o Universo, enquanto as religiões orientais normalmente se atem a uma determinada filosofia de vida. Os filósofos têm como objetivo descobrir se o olhar espiritual sobre o Cosmos é realmente verdadeiro.

Deus e as provas de Sua Existência

Fato é que Deus não pode ser totalmente conhecido por ninguém, e uma coisa interessante a ser notada é que a Bíblia não se dá o trabalho em tentar provar que Deus existe. A Bíblia já parte do pressuposto de que uma pessoa de sã consciência, jamais negará a existência do Ser criador, e que a criação é um testemunho incontestável dEle.

Mas a questão maior é como desenvolver argumentos racionais para explicar a existência de Deus, fazendo frente aos que duvidam de sua existência, veja algumas formas e argumento que buscam provar a existência de Deus:

A Teologia Apofática, ou da Via Negativa

Esta é uma teologia que tenta descrever Deus, o Divino Bem, pela negação, para falar apenas em termos daquilo que não pode ser dito sobre o ser perfeito que é Deus.

Ou seja, teologia negativa é uma tentativa de achar unidade com o Divino através do discernimento, ganhar conhecimento de que Deus não é (apophasis), em vez de descrever o que Deus é.

Na teologia negativa, se aceita que o Divino é inefável, baseando-se na ideia de que os seres humanos não podem descrever em palavras a essência do indivíduo, nem podem definir o Divino, na sua complexidade, relacionadas com todo o domínio da realidade e, portanto, todas as descrições tentadas, em última análise, serão falsas toda e qualquer conceituação deve ser evitada.

Mesmo que a via negativa essencialmente rejeite a compreensão teológica como um caminho para Deus, alguns têm tentado fazer isso como um exercício intelectual, descrevendo só Deus, em termos daquilo que Deus não é.

Um dos problemas observados com esta abordagem, é que parece não haver base fixa para decidir sobre o que Deus não é, a menos que o Divino seja entendido como um resumo da experiência plena e única para a consciência de cada indivíduo, e universalmente, a perfeita bondade aplicável ao todo domínio da realidade, Descrevo abaixo outros argumentos acerca da existência de Deus:

  • Argumento Ontológico – Este argumento diz que o ser humano tem a ideia de um ser absolutamente perfeito, e que a existência é uma característica essencial da perfeição, ou seja, um ser para ser perfeito tem que existir. E esse ser perfeito seria Deus. Esse argumento foi primariamente elaborado por Anselmo, e posteriormente defendido pelo filósofo francês René Descartes e o matemático e também filósofo alemão Gottfried Leibniz.
  • Argumento Cosmológico – Declara este argumento que tudo o que existe no mundo tem uma causa, sendo assim, também o universo inteiro (o cosmos) deve ter uma causa, e uma causa infinitamente grande, portanto essa causa seria Deus.

Há três variantes básicas do argumento cosmológico, cada uma com distinções sutis, mas importantes: os argumentos da Causa (causalidade), da Essência (essencialidade), do Devir (tornando-se), além do argumento da contingência.

Esse raciocínio tem sido utilizado por vários teólogos e filósofos ao longo dos séculos, desde a Grécia antiga com Platão e Aristóteles, passando pela Idade Média com São Tomás de Aquino, até a atualidade com William Lane Craig, Alexander Pruss,Timothy O’Connor, Stephen Davis, Robert Koons e Richard Swinburne.

  • Argumento Teleológico – Este argumento afirma que todo o universo uma ordem, uma inteligência, uma harmonia e um desígnio, objetivo. Isto mostraria então a existência de um ser inteligente que planejou tudo isto que os nossos olhos contemplam, portanto, Deus. O primeiro defensor deste argumento foi William Paley (1743-1805), que o tornou famoso por meio de sua declaração, de que todo relógio implica a existência de um relojoeiro.
  • Argumento Moral – Diz este argumento que o reconhecimento pelo ser humano de um bem supremo, e sua busca do ideal moral exige e necessita da existência de um Deus que converta esse ideal em realidade.
  • Argumento Histórico – Este argumento diz que em todas as tribos e povos do mundo se encontra um sentimento do divino, uma forma de culto, e isto deve pertencer a natureza própria do homem. E se a natureza humana tem essa inclinação para a adoração religiosa, isto só se explica com a existência de um ser superior que deu ao ser humano uma natureza religiosa.



Continua….

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