livro de apocalípse – Estudo Sintético

O Livro de Apocalipse


livro de apocalípse O Livro de Apocalipse é um livro bastante atraente e também muito enigmático. Suas figuras números, e símbolos são de difícil interpretação; não obstante, vemos algumas mensagens de juízo bastante assustadoras; mas por outro lado, temos as visões de um novo mundo justo que nos fascinam sobremaneira.

O Livro de Apocalipse já tem seu início nos apresentando o seu autor e também descrevendo a sua experiência visionária e sobrenatural.

Logo após esta apresentação, vemos sete cartas que são enviadas às igrejas da Ásia Menor, as chamadas cartas às 7 Igrejas do Apocalipse.

Antes das grandes visões acerca do juízo, que nos são mostradas em forma de selos, trombetas e taças, João tem uma visão fantástica da glória de Deus e de Jesus Cristo.

Interessante notar que também antes da apresentação do juízo pelos selos o João registra a sua visão da queda de Satanás por sobre a terra, nos fala também acerca do surgimento do anticristo e por fim da vitória de Cristo sobre ele.

O Livro de Apocalipse termina com as visões do retorno de Jesus, o juízo final e do novo mundo que Deus criará.

Algumas Afirmações-chave importantes no Livro de Apocalipse

“Não temas; eu sou o primeiro e o último, e aquele que vive; estive morto, mas eis que
estou vivo pelos séculos dos séculos, e tenho as chaves da morte e do inferno.” (Ap 1.17b-18)

“Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e cearei com ele e ele comigo.” (Ap 3.20).

“Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus e Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras cousas passaram.” (Ap 21.3b-4)

Gênero literário do Livro de Apocalipse

O arcabouço do livro de Apocalipse não é tão claro quanto o esboço mencionado no parágrafo anterior possa sugerir.

Especialmente na sétima trombeta, se analizarmos de forma mais detalhada a seqüência cronológica dos fatos, iremos logo perceber algumas inconsistências: por exemplo, como os capítulos 11, 12 e 13 estão relacionados?

Buscou-se resolver essas incertezas por meio de provas de certas fontes. Porém não houveram nenhuma prova definitivamente conclusiva.

Partiu-se do pressuposto de que o próprio João trabalhou com dois documentos buscando harmonizá-los da melhor forma possível. Mas para isso também não há provas.

Desse modo, aconselho ao leitor do Livro de Apocalipse, que o leia como um livro integral e sem interrupção ou parada, e conferir tais inconsistências ao contexto apocalíptico.

A obra literária apocalíptica também moldou a forma literária do livro, no qual a cercadura total tem a aparência de uma epístola, porém na apresentação de maneira geral é um livro apocalíptico completo.

No Livro de Apocalipse, vemos o número sete aparecendo diversas vezes e com um significado sui generis: sete espíritos, sete candeeiros, sete estrelas, sete igrejas, sete cabeças de animais, sete selos, sete trombetas, sete taças.

A configuração gráfica nos remete a ideia de que o livro inteiro é estruturado à volta do número sete.

Mas isso não é algo que podemos afirmar de fato, pois temos inúmeros trechos independentes do livro que não podem ser colocados neste esquema.

Além da linguagem com uma grande acentuação hebraica do AT, o que nos chama a atenção no Livro de Apocalipse são os diversos cânticos de louvor: 1.5-6; 4.8-11; 5.9s,12s; 7.10,12;11.15,17s; 12.10-12; 15.3s.

Podemos questionar aqui, se o autor está tentando reproduzir trechos da liturgia da igreja cristã primitiva. Não temos uma afirmação segura sobre isso.

O mais provável é que estes cânticos estão relacionados com a sua experiência e visão da Glória.

Um fato de suma importância também é de que maneira estão relacionados os selos, as trombetas e as taças. Houve uma teoria de que estas três séries de visões relatam a mesma seqüência de fatos, porém de forma repetida (conhecida como a teoria da repetição).

No entanto, essa teoria deixa passar despercebido o aspecto de que há um aumento significativo nas três sequências.

O Contexto histórico do Livro de Apocalipse

O termo utilizdo no grego para o nome do livro é apokalypsis, e seu significado é “revelar”. Os livros apocalípticos sempre pretendem revelar os mistérios acerca do desenrolar da história da humanidade e do fim do mundo.

O Livro de Apocalipse tem seu surgimento em um momento em que já existiam diversos livros semelhantes. Todos estes livros só podem ser compreendidos se nos basearmos no pano de fundo da profecia do AT.

Os profetas Veterotestamentários recebiam aquilo que era necessário dizer por inspiração divina, e em divesos casos esta mensagem estava associado com fatos políticos, econômicos e religiosos da vida daquele profeta.

Por outro lado, estes profetas também recebiam mensagens que eram especialmente dirigidas aos acontecimentos futuros.

Anunciavam o juízo de Deus e a salvação no fim dos tempos. Esse segundo enfoque da mensagem profética é retomado nos textos apocalípticos. Ela tem seu desenvolvimento no momento em que Antíoco Epifânio IV era o governador da Palestina (175-164a.C.).

Foi um tempo de grande sofrimento do povo judeu, porque Epifânio buscava introduzir à qualquer preço a cultura e religiosidade grega ao seu império – inclusive aos judeus.

É em meio a esse período difícil que o povo judeu se lembra das promessas de salvação de Deus outrora dadas pelos profetas. Deus não havia dado a promessa de ajudar o seu povo e os tornar vitoriosos sobre todos os inimigos no final dos tempos? Por que então isso não estava se cumprindo?

O objetivo dos livros apocalípticos era trazer as respostas ao povo judeu tão oprimido e sofrido.

Esses livros surgiram quase que exclusivamente na Palestina e lá foram difundidos.

O Autor do Livro


De modo diferente dos outros livros do NT, o Livro de Apocalipse cita o nome de seu autor. Ele chama-se João (1.1,4,9; 22.8) e se apresenta aos leitores como o seu “companheiro na tribulação”. João estava em uma ilha chamada Patmos “por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus” (1.9).

Deve-se notar que isso não significa uma viagem missionária, mas sim um exílio, por causa do anuncio da mensagem do evangelho.

Uma pergunta feita sempre é: Mas de qual João o apocalipse está tratando? Na igreja primitiva, já no início do segundo século (antes de 160 d.C.), já era considerado o apóstolo João o autor do livro, como podemos observar nos textos de Justino e Papias.livro de apocalípse

Isso teve uma mudança através da polêmica com os Montanistas, que davam valor especial ao Livro de Apocalipse por causa do ensino sobre o milênio (quiliasmo, de acordo com Ap 20.1-4).

Já Dionísio, bispo de Alexandria apresenta na metade do século III as grandes diferenças lingüísticas e estilísticas entre o Livro de Apocalipse e os outros escritos do Apóstolo João. Daquela época até os séculos IX e X a autoria apostólica foi questionada no Egito.

No restante do oriente e no ocidente a autoria apostólica foi aceita após essa época de insegurança no século IV. Agostinho, um dos grandes Teólogos também está de acordo com essa posição da autoria do Apóstolo João. Algumas questões são levantadas contra a autoria do apóstolo João, como argumentos lingüísticos e teológicos.

Realmente existem algumas diferenças lingüísticas entre o Apocalipse e os outros textos de João:

enquanto o cordeiro de Deus é escrito como amnos no Evangelho de João, no Livro de Apocalipse a palavra usada é arnion.

Porém, esse termo também é visto em outro contexto e no plural em João 21.25 (arnia). Jerusalém no Evangelho de João é Hierosolyma, e no Apocalipse é Ierousalem.

Ethnos no Apocalipse faz referencia aos gentios, no Evangelho de João é usado para se referir ao povo judeu. Esses exemplos são suficientes como evidências de diferenças lingüísticas.

Alguns ainda usam o argumento de que o apóstolo João já teria morrido bem antes do final do primeiro século. Sobre isso W. G. Kümmel nos diz: “Mesmo que exista a hipótese de João ter morrido antes do final do Século II como mártir, ainda assim não podemos afirmar nada sobre a época e o local em que isso tenha ocorrido”.

Do que vimos até aqui, podemos concluir que: excetuando as diferenças lingüísticas, não vemos outras evidências consideráveis contra a tradição da igreja primitiva, que reconhece o apóstolo João como autor do livro.

Destinatários

Como podemos verificar em Apocalipse 1.4, esse livro foi escrito primariamente às sete igrejas da província da Ásia Menor.

As igrejas citadas nos capítulos 2 e 3, são as Igrejas que Estão em Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia, que são exortadas e encorajadas por meio desse livro.

Local e data

Se atentarmos ao fato de que a história da época em que foi escrito Livro do Apocalipse é bastante decisiva para a boa compreensão do livro, a questão da data do livro ganha um peso significativo. O próprio autor no livro nos informa que a revelação foi vista e redigida na província da Ásia em uma época de grande tribulação para os cristãos. Como é sabido, a primeira perseguição de forma orquestrada e ordenada foi feita por Domiciano (81-96 d.C).

O que tinhamos antes eram explosões centralizadas de ódio e perseguição aos cristãos. Até mesmo a tão conhecida perseguição de Nero foi algo limitado somente a Roma e foi na verdade resultado do mau humor de Nero.

Irineu nos informa que a revelação do Apocalipse foi vista e registrada na época de Domiciano.

Existem fortes indícios a favor disso no próprio livro de apocalipse, como, a expectativa das perseguições oficiais (2.10). Também houveram mártires e irão continuar a existir (2.13; 6.9s) e muitos outros textos.

O Livro do Apocalipse encoraja a uma resistência vigorosa contra Roma e o culto e adoração ao imperador por causa da fé em Jesus Cristo. Nesse tempo o povo aguardava a volta de um imperador como Nero (Nero redivivus).

Nero iria voltar do reino dos mortos e assumir o poder, conforme era difundida essa crença. Vários eruditos consideram Apocalipse 17.7-11 uma alusão a essa crença popular.

De qualquer maneira será necessário iniciar uma contagem dos sete imperadores romanos, incluindo Calígula:

1) Calígula – 37-41
2) Cláudio – 41-54
3) Nero – 54-68
4) Vespasiano – 69-70
5) Tito -79-81
6) Domiciano – 81-96
Conforme a divisão apresentada acima, Domiciano é o imperador de número 6. Sua gestão de terror já trazia perseguições. Depois de Domiciano, virá a figura do terrível anticristo (Nero redivivus).

O Apocalipse visa preparar os seus ouvintes para essa época. Com base nestes argumentos, o livro teria sido escrito na época do imperador Domiciano, na metade da década de 90. Essa datação nos apresenta duas pequenas falhas.

O início com Calígula é ilegítimo, e entre os imperadores que seguiram Domiciano não houve nenhum que trouxesse terror.

Por esta razão, provavelmente haja mais sentido em considerar uma datação um pouco mais antiga, que por razões claras inicie a contagem dos imperadores com Augusto.

1) 31 a.C.-14 d.C. Augusto (Caesar Octavianus)
2) 14-37 Tibério
3) 37-41 Calígula
4) 41-54 Cláudio
5) 54-68 Nero
6) 69-79 Vespasiano Data da escrita (Ap 17.10)
7) 79-81 Tito (Ap 17.10)
8) 81-96 Domiciano (Ap 17.11)

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