O que é Homilética?

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O que é Homilética?

Essa é uma pergunta que muitos cristão sinceros e que desejam falar do amor de Deus me perguntam. Primeiro precisamos entender que Homilética não é omelete, ok? Bom depois de deixar claro essa pequena diferença, vamos entender um pouquinho da Homilética:

“Conjuro-te, pois, diante de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino; prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo, admoesta, repreende, exorta, com toda a longanimidade e ensino. Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas tendo coceira nos ouvidos, cercar-se-ão de mestres, segundo as suas próprias cobiças; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando às fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre bem o teu ministério” (2 Timóteo 4.1-5).

Do que se trata a Homilética?

A homilética tem como objetivo primordial tratar acerca das questões referentes à Pregação do Evangelho, visando uma compreensão clara dos aspectos da mensagem cristã, a Homilética pode ser dividida em Três formas, que são: A Homilética Fundamental,  Homilética Material e  Homilética Formal. Tratarei aqui neste artigo acerca da Homilética Fundamental, se você deseja conhecer mais sobre a Homilética e Como se tornar um pregador eficaz, eu recomendo o nosso Curso Médio em Teologia

Origem, significado e tarefa da HOMILÉTICA

O termo (homilética) tem sua origem no substantivo grego “homilia”, que significa de forma literal “companhia”,  “associação”, e do verbo homileo, que significa “conversar”, “falar”. O Novo Testamento vemos empregado o termo homilia na 1° Carta do Apóstolo Paulo aos Coríntios, cap: 15.33 “… as más conversações [homilia] corrompem os bons costumes.”

Mas dentro da Teologia, o  termo “homilética” tem sua aparição no período  do Iluminismo, nos séculos XVII e XVIII, quando as principais matérias da teologia receberam nomes gregos, como, por exemplo, apologética, dogmática e hermenêutica. Stier, na Alemanha, propôs o termo Keríctica, que tem deriva de keryx, que significa “arauto”. Já Sikel sugeriu a palavra haliêutica, derivado de halieos, que significa “pescador”. O termo “homilética” foi o vencedor,  firmando-se e sendo aceito ao redor do mundo quando se refere  à disciplina teológica que estuda a ciência, a técnica e a arte de verificar, estruturar e entregar a mensagem do evangelho.

Podemos afirmar que a homilética é uma ciência, quando tratada sob o ponto de vista de suas bases teóricas (históricas, psicológicas e sociais); é uma arte, quando considerada em seus aspectos visuais e estéticos (a beleza do conteúdo e da forma); e é uma técnica, quando considerada pelo modo específico de sua execução ou ensino.

Relação entre a Homilética e outras disciplinas

Como disciplina teológica, a homilética é parte integrante da teologia prática. As disciplinas teológicas que mais se assemelham à homilética são a exegese e a hermenêutica. Enquanto a hermenêutica é a ciência, arte e técnica que nos ensina a  interpretar de maneira mais correta possível a Palavra de Deus, e a exegese é a ciência, arte e técnica de expor as idéias interpretadas com as técnicas da hermenêutica, já a homilética é a ciência, arte e técnica de transmitir a mensagem  do evangelho. A hermenêutica visa interpretar um texto bíblico à luz de seu contexto; a exegese expõe (traz para fora) um texto bíblico à luz da teologia bíblica; e a homilética, por sua vez comunica um texto bíblico à luz da pregação bíblica.

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Os primeiros escritos homiléticos encontram-se nos textos de Crisóstomo (345-407 A. D.), o pregador mais famoso da igreja primitiva que se tem notícia. No entanto a primeira homilética foi escrita de forma completa  por Agostinho, em De Doctrina Christiana. Agostinho dividiu a homilética em duas partes que são: de inveniende (como chegar ao assunto) e de proferendo (como explicar o assunto). Na prática, esta divisão é o que chamamos hoje de homiléticas material e formal. A Idade Média não foi além daquilo que Agostinho propôs, mas produziu algumas coletâneas de sermões muito famosos, que atualmente foram publicadas em forma de livros devocionais.

A Homilética e a Reforma Protestante

Com a chegada da Reforma Protestante, veio uma grande inovação, que foi tornar a Bíblia o centro da pregação. Os discursos litúrgicos foram substituídos pela pregação do evangelho e  das grandes verdades bíblicas, versículo a versículo. Martinho Lutero e João Calvino expuseram quase todos os livros da Bíblia em forma de comentários que, ainda em nossos dias, possuem grande aceitação acadêmica e espiritual. Os precursores da Reforma Protestante deram à pregação cristã um novo conteúdo (a graça divina em Jesus Cristo), um novo fundamento (a Bíblia Sagrada) e um novo alvo – a fé viva.

Enquanto que Lutero enfatizava fortemente o conteúdo da mensagem do evangelho (a justificação pela fé), Melanchthon apresentava o método e a forma que se deveria ser feita esta pregação. Como um humanista convertido ao Evangelho, Melanchthon escreveu, no ano de 1519, o que conhecemos como a primeira retórica evangélica, seguida de dois trabalhos homiléticos, em 1528 e 1535, respectivamente. Melanchthon enfatizou a unidade, um centro de organizaçao e um pensamento principal (loci) para o texto a ser pregado. A pregação evangélica reformada deveria incluir: introdução, tema, disposição, exposição do texto e conclusão.

Os Problemas da Homilética

A Biblia Sagrada nos informa que “a fé vem pela pregação e a pregação pela palavra de Cristo” (Rm 10.17). E com base nisto, como seria  possível que surjam dificuldades e erros quando esta palavra é pregada? A resposta é simples, o problema não está na palavra em si, até porque “a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração” (Hb 4.12). O problema não está na Palavra de Deus, mas em quem está proclamando e na forma de sua proclamação, quando feita por homens falhos que não admitem suas dificuldade e  imperfeições homiléticas! Atualmente, as dificuldades mais comuns da pregação bíblica encontram-se nas seguintes áreas:

Falta de preparo adequado do pregador

Em sua grande maioria, a pregação pobre e superficial tem sua raiz na falta de estudo do pregador. Muitos pensam ter condições de preparar uma mensagem bíblica em poucas horas, sem o trabalho árduo exegético e estilístico. Pensam eles erroneamente que basta ter um esboço de três ou quatro pontos e assim terão uma  mensagem para edificar a igreja, ou acham que basta manipular as Quatro Leis Espirituais para levar um indivíduo perdido à obediência a Cristo, isso é muito pouco.

Falta de unidade corporal na mensagem

Os ouvintes da mensagem pregada perdem o interesse pelo recado do orador quando este apresenta uma exposição superficial que consiste numa mera junção de versículos bíblicos, muitas vezes até mesmo sem ligação nenhuma entre si, pulando de um livro para outro, sem unidade, sem um tema organizador. A falta de unidade corporal na Mensagem leva o ouvinte a depreciar até a mais correta exposição da Palavra de Deus.

Falta de vivência  pregador na fé cristã de forma real e intensa

Esta pra mim é a pior coisa que  pode acontecer ao pregador do evangelho, proclamar as verdades salvíficas de Cristo e, em contrapartida, viver uma vida arraigada no pecado e em desobediência clara aos princípios da Palavra de Deus. E por esta causa, o Apóstolo Paulo escreveu: “… esmurro o meu corpo, e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado” (1 Co 9.27).

As Características da Homilética

Charles W. Koller nos mostra o conceito bíblico de pregação sendo (um processo único pelo qual Deus o Pai, através de seu mensageiro (o pregador), introduz – se no seio da família humana e coloca pessoas diante de Si, face a face). C. W. Koller, op. cit., p. 9.

Em sua teoria, Koller infere ao mensageiro (vocação (chamado), caráter e função) e à mensagem anunciada (conteúdo, poder, objetivo). Podemos afirmar porém que as características da homilética cristã reformada não podem ficar restritas somente aos pólos mensageiro – mensagem. Três elementos, no mínimo, participam da exposição bíblica: Deus, o pregador e o ouvinte.
Podem ser representados por meio de um triângulo, cujos vértices simbolizam o autor, o comunicador e o receptor, veja o gráfico abaixo:

Neste triângulo, o pregador dirige-se a Deus, no estudo, preparação e proclamação da mensagem, e ao ouvinte, sua comunidade cristã. O ouvinte/comunidade recebe a mensagem da Palavra de Deus através da comunicação pelo pregador ou por sua própria leitura. Deus, por Sua vez, é autor, inspirador e ouvinte da Sua Palavra. Entretanto, é bom lembrar que o triângulo só se completa com um núcleo: este âmago é a palavra do Cristo crucificado (1 Co 2.2). O triângulo, então, deve ser aperfeiçoado da seguinte forma:

Homilética

Para A Igreja reformada, Jesus Cristo é o centro das Escrituras. Lutero foi enfático em seus ensinamentos: (A Escritura deve ser entendida a favor de Cristo, não contra Ele; sim, se não se refe-re a Ele não é verdadeira Escritura … Tire-se Cristo da Bíblia, e que mais se encontrará nela?) B. Hagglund, História da Teologia (P. Alegre: Concórdia, 1981), p. 187.

Ainda tenho muito mais a tratar sobre a Homilética, mas por hora ficarei por aqui, se você gostou do conteúdo, ajude-nos compartilhado em suas redes sociais.

Que a Paz de Cristo Esteja com Vocês.

Pr. Altemar Oliveira

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